Huacachina, atropelamento e Nazca


Um fim de semana que eu ainda estava morando no Perú, haviam mais alguns brasileiros colegas de trabalho que estavam por lá e queriam conhecer Nazca. A ideia deles era sair de Lima de carro e ir até Nazca.

Falei que seria uma viagem puxada, já que Nazca está localizada 450 km de distância de Lima e passando por estradas com condições bem ruins.

Mas eles queriam ir, então saímos no sábado bem cedo dirigindo sentido a Nazca. 

Como eu já conhecia o local e percurso, sugeri pararmos em Paracas, um local com praias lindas e e um deserto, ou dar uma passada em Huacachina, uma vilinha que é como um Oasis no meio do deserto e dunas de areia, ambos ficam na rota para Nazca para quem sai de Lima.

Em Paracas só paramos para almoçar, em um restaurante com vista para o mar da praia Central, depois seguimos para Huacachina.

Em Huacachina fizemos passeio de Buggy e fomos descer as dunas de sundboard.











Eu desci as dunas deitada, quando cheguei lá embaixo levantei olhando e acenando positivo para cima para os que iam descer, foi quando do nada, sem eu nem ver, eu fui atropelada por alguém que descia. A prancha dele pegou no meu tornozelo e eu dei um salto duplo mortal esparpado para traz e cai de cara na areia, com muita dor.

 Olhei lá para cima e todos estavam com a mão elevada a cabeça preocupados. 

Como não gosto de parecer fraca, fui criada sem moleza preparada para não sentir dor, eu levantei com a canela trincando de dor e acenei para cima, nessa hora todos se tranquilizaram e caíram no riso, definitivamente deitaram no chão de rir.

Eu saí mancando dali com muita dor, mas fingindo estar tudo ok, ali não tinha enfermaria nem nada, então segurei a dor, pois bem teríamos só mais 3 horas aproximadamente até Nazca que era o destino final e quem sabe lá eu achasse um hospital.

Chegamos em Nazca já a noite, eu estava com muita dor, mas falei que estava tudo bem, então todos foram dormir, logo que foram dormir eu saí do meu quarto para buscar um hospital. Aliás nos hospedamos no hotel Casa Andina Standard uma excelente opção em Nazca, muito confortável.

 Eu não gosto atrapalhar os outros, prefiro me virar sozinha, então descobri que tinha um hospital a duas quadras resolvi ir caminhando, na verdade fui pulando de um pé só. Eu estava com pouco dinheiro e não quis gastar com táxi já que era muito perto.

Cheguei no hospital, tive um atendimento bem precário e me informaram que poderia ser uma luxação mas que eles ali não podiam fazer nada além de dar medicamento e depois eu deveria procurar um hospital em Lima, mesmo assim eu teria que pagar pela consulta e medicamento. Eu tinha seguro saúde mas disseram que para acionar o seguro ia demorar muito pois já era noite e era mais difícil o acionamento, pois bem paguei e tomei os medicamentos, a dor era muita então acabei chamando um táxi para andar as duas quadras e negociando com ele o pagamento para ser o restante do dinheiro que sobrou no medicamento, que era tudo que eu tinha ali.

O medicamento aliviou um pouco a dor, e consegui dormir.

No outro dia voamos as linhas de Nazca, incrível a precisão dos desenhos ali, o que segue sendo um grande mistério. mas eu só pensava mesmo em quantas horas faltavam para chegar em Lima, saímos do voo das linhas, diretamente para pegar a estrada por 7h até Lima.









No caminho o pneu do carro furou, não foi um furinho qualquer e sim foi um rasgo enorme no pneu, mais algumas horas ali para trocar o pneu e uma vez trocado seguimos a Lima.

 Chegamos finalmente e o pessoal ficou direto no aeroporto pois tinham voo naquele mesmo dia, eu assumi a direção do meu carro e tive que voltar dirigindo manca.

 Finalmente em casa em Lima dormi e no outro dia fui buscar um hospital para finalizar meu tratamento.

Para surpresa quando me atenderam fizeram raio x e informam que havia quebrado um ossinho no tornozelo e eu tinha que imobilizar, porém eu mesmo tinha que descer na enfermaria, buscar e pagar os equipamentos para imobilizar... pois bem desci fiquei em uma fila e consegui os equipamentos.

 Quando volto ao consultório o médico já não estava lá, perguntei no atendimento e me dizem que terminou o turno e que eu não poderia ser atendida por outro médico já que o anterior que havia iniciado meu registro e que eu teria que voltar outro dia e imobilizar com ele. 

Resumo.... nunca mais voltei, fiquei andando mancando por uns 2 meses, e devo ter uns reflexos até hoje, mas tudo isso tendeu uma boa lembrança.

Essas fotos são dias depois durante a recuperação, ainda estava inchado e com hematomas.



Voltando ao tema da viagem, o percurso Paracas, Huacachina e Nazca vale muito a pena, porém precisa de pelo menos 4 dias para aproveitar, eu já fiz esse percurso com mais tempo e foi muito bom, vou postar depois também. 

Essa loucura de fazer esse percurso em um fim de semana é uma loucura mesmo, muito puxado e cansativo, mas se quiser conhecer e não tiver outra opção, saiba que sim é possível fazer.